Ah, dias chuvosos...

Quem me conhece sabe que tenho uma grande paixão por dias chuvosos. É inenarrável a sensação de sentir a chuva escorrendo pela janela do meu quarto, enquanto o frio vai de encontro com meu edredom. As mãos, que antes suavam com facilidade, conseguem encontrar a temperatura ideal para descansar. O rosto também parece que estica sem precisar de maquiagem. Meus olhos parecem mais verdes, vivos, ligados. É que dia chuvoso combina com chá, café ou cappuccino. Pede pantufa, chocolate e netflix. E, se não for pedir muito, pede e quer abraço quentinho de quem se ama. Dia chuvoso tem mania de me fazer refletir sobre a vida e seus preceitos, é impressionante o quanto penso mais que o normal. Caramba, eu penso demais. Invento coisas, refaço outras, pinto e bordo como diria a minha vó. Não tô triste, mas sinto gotículas de lágrimas escorrendo pelos meus olhos, as mesmas, por sua vez, seguem o compasso da chuva lá fora, despejando um leve toque salgado em meus lábios. Putz, as lágrimas poderiam ter gostinho de prestígio (risos!). Se alguém me perguntasse os motivos, não saberia responder, mas sinto, e sinto tantas coisas. Esse talvez seja o maior problema de quem costuma ser cem por cento coração. Apesar dos pesares, esse dia chuvoso só me faz constatar mais uma vez que após a tempestade sempre vem a calmaria. Sendo assim, que o amanhecer seja doce. 

Fechando ciclos.


Por mais que aquilo tudo me machucasse, eu jamais seria capaz de arrancar do meu peito aquele sentimento tão confuso, tão profundo. Mas também não imaginei que ele, por si só, acabasse. É estranho falar de você e não sentir mais o coração palpitar com tanta rapidez. Também é estranho chegar perto e o corpo não tremer. Pela primeira vez parece que estamos nos distanciando. Mas não é aquele distanciamento comum, que volta e meia pegávamos fogo. Dessa vez a chama se apagou, feito chuva forte ao cair em brasas acessas numa noite de São João. Pela primeira vez não sinto ciúmes ao olhar suas fotos com outras pessoas. Já não me importa onde você está e o que tens feito nos últimos dias. O teu abraço que antes chamava de lar, hoje tanto faz visitar. Passou. E passou de verdade. Não quero te culpar por toda bagunça criada durante esses anos subentendidos, mas também seria hipocrisia demais jogar essa culpa no destino. Hoje, apesar de tudo, te desejo sorte e amor, muito amor. Mas não o meu. É que todo ciclo necessita ser fechado para iniciarmos um novo. Que assim seja... você de lá e eu daqui. Hoje não é um até breve, e sim um adeus. Acabou. Passou. Amém.

Todo dia é dia de aprender...


Aprendi que posso te levar comigo sempre, em silêncio, feito aquele segredo oculto que a gente não conta nem mesmo pra melhor amiga. Aprendi que nem sempre as coisas são como queríamos que fosse, e que não adianta chorar, espernear, pois tudo acontece em seu devido momento. Aprendi que dias ruins servem para valorizarmos os bons. Que saudade quando vem, tem cheirinho de lembrança doce. Aprendi que nem sempre conseguimos mandar em nosso coração, mas aquietar a mente é sempre uma boa opção. Aprendi que não perdemos algo, só não estamos preparados para viver determinadas sensações em determinados momentos. Aprendi que as pessoas são boas, algumas só estão perdidas nesse mundo meio-totalmente louco. Aprendi que amar verdadeiramente alguém requer paciência e compreensão, afinal, nem sempre teremos um final feliz com aquele nosso grande-eterno amor. Aprendi que brigar é ruim, cansativo, e que devemos mesmo é aproveitar cada instante ao lado de quem nos quer bem. Aprendi que por mais corrido que seja o nosso dia, todos nós necessitamos de um momento com Deus. Aprendi que chorar alivia, mas não traz ninguém de volta. Aprendi que sorriso é vida e faz bem ao nosso corpo. Aprendi com os golpes duros da vida que respirar fundo e seguir em frente ainda é a melhor opção. Aprendi a ir. Aprendi a rir. Flo (ri).

reencontros.



 Uma mistura de susto com felicidade plena. É isso que sinto todas as vezes que te reencontro. Queria poder te dizer o quanto o seu abraço me faz bem, reinicia. Queria poder recitar versos que fale de saudade, frio na barriga, paz, proteção e amor. Afinal, é isso que você me causa. Queria também te contar sobre os meus planos, as músicas que escutei e os livros que li nesse período que não nos encontramos. O problema é que quando te vejo, as palavras fogem, e eu não consigo falar o que ensaiei por vários dias, meses. É estranho. Você nem tinha ido embora, mas meu coração já sentia a sua falta. Parece loucura, é loucura, mas também é amor. Muito amor, por sinal.


Há quem diga que ele seria apenas mais um que cruzaria a minha vida, causando borboletas no estômago e todas aquelas sensações de quando está apaixonada. Uma amiga falou que logo mais ele também seria esquecido, feito aquele paquerinha que dei o primeiro beijo na pracinha, jurando que seria o amor da minha vida. Ela ainda assegurou que bastaria conhecer lugares novos, pessoas novas, sensações novas,..., que tudo seria esquecido mais uma vez. Pareceu fácil. Juro que pareceu. Mas não, não foi, nem é. Eu também já tentei acreditar em todas as teorias dos amores "verdes", ou seja, todos aqueles rolos que  temos até encontrar o amor "maduro", aquele amor único, que move pedras, supera obstáculos e permanece firme, forte, recíproco e duradouro. Desde então, venho tentando encaixá-lo nessa hierarquia de sentir e não saber explicar. 

Saudade.

A saudade é meio traiçoeira. Vem, quietinha, e quando notamos, se alojou. Não é fogo, mas queima igual. Não é água, mas transborda nossos olhos de lembranças inenarráveis. São sete letras, mas que carregam entre si significados incalculáveis. Saudade não mata, mas causa uma dor que somente uma presença sara. O difícil é ter a presença. 

Lua cheia.

Hoje a lua está tão linda, por um instante confundi o brilho dela com o seu sorriso. Desculpa, é que sou apaixonada por ambos. Passei horas viajando em cada detalhe daquele céu, tentando advinhar por onde você estava e o que tinha feito nos últimos dias. Quando amamos verdadeiramente alguém, queremos a todo custo aquela pessoa ao lado, nem que seja por telepatia, conexões de pensamentos. É que quando eu tenho você, nada mais importa, nem mesmo os obstáculos que, por vezes, querem nos separar. Parece que cada átomo do meu corpo, em uma mesma sintonia, chama por você. E eu não sei pensar em outra coisa, além de querer ficar ao seu lado para sempre. Eu, você e a lua. 

Carregados de silêncio.


Logo eu, antes tão acostumada com barulho, passei a valorizar o silêncio. O seu silêncio. Com o passar dos dias, aprendi a te ouvir, sem ao menos escutar sua voz. Na verdade, seu silêncio permanece carregado de palavras que somente quem ama conseguiria entender. Entendo. Jeito seu de falar de amor. Jeito seu de conversar com olhar. Jeito NOSSO de não desistir de nós. Nos amamos em silêncio. 

Resiliência.

Hoje o meu corpo pediu arrego. Talvez tenha sido por conta do cansaço físico e emocional. É que tem dias que não queremos nada, além do quarto, silêncio, ar condicionado, edredom e dois travesseiros; um para encostar a cabeça e o outro para apoiar os braços, em forma de um abraço. Não é falta, dor ou carência. Pelo contrário, é só uma vontade incontrolável de aquietar corpo, alma e coração. Viver não é uma tarefa fácil, principalmente quando nascemos totalmente coração. Mas eu tinha que acordar bem, eu precisava ficar bem. E quando a gente quer, o universo conspira ao nosso favor. Eu acredito nisso. Sendo assim, que o amanhecer seja doce. 

Eternidade.


Cogitei tirar você de vez do meu coração. Não vou mentir pra você,  por muitas vezes quis te odiar, acreditando que assim conseguiria fechar os olhos e apertar o "delete" com convicção que aquela atitude mudaria o roteiro da minha vida. Sim, pois você fazia parte de cada traço que eu almejava percorrer. Você era a minha fonte viva de inspirações, desejos e sonhos. Como apagar uma pessoa assim? Como explicar ao meu coração? Fui covarde, que seja, mas não o fiz. Apesar de todos os contratempos, era você que me arrancava os risos mais frouxos e saudáveis. Era a sua voz que me encorajava, ainda que escutada poucas vezes ao ano. O seu abraço sempre foi a minha melhor moradia, e os seus olhos a certeza da reciprocidade. Eu não poderia fazer isso com você, comigo, nós. Pode ser loucura da minha cabeça, a chance de dar certo é quase 1%, mas hoje não importa. Eu quero te carregar por uma, duas, várias outras vidas que virão. E eu não consigo explicar os porquês, nem acho necessário procurar por respostas. Nada explica esse turbilhão de sentimentos que liga seu coração ao meu. Nenhum matemático seria capaz de calcular o quanto te quero, mas qualquer poeta decifraria em apenas um olhar o quanto te amo. O amor é isso, não precisamos entender, basta sentir. E por você eu sinto tudo, inclusive saudade, daquelas que fabricam lágrimas nos olhos e aperta forte o peito, alma e coração.

Você não sabe a força que tem.



Moça, eu sei que aí dentro tem muita coisa bagunçada, pendurada. Mas também sei que você cultiva os sentimentos mais puros. Só é preciso paciência para se organizar. Se quer um conselho: nunca prenda alguém na sua vida. As pessoas devem permanecer por livre e espontânea vontade. Portanto, deixa a porta aberta. Nada de muros altos, cerca elétrica e cadeados no portão. Caso contrário, deixou de ser liberdade e virou prisão, tortura. E ninguém merece viver em constante desvalorização sentimental. Doa o seu coração para alguém que possa cuidar dele com zelo. Se você não sabe, coração é coisa sagrada. Não mendiga atenção de quem não se importa com você. Também não precisa ficar triste quando recusarem seu excesso de amor, afinal, antes transbordar amor do que ódio. Quando estiver cansada, respira bem fundo, lembrando que tudo é passageiro. Se a felicidade é momentânea, a tristeza também há de ser. Anda, moça, desfaz essa cara de quem comeu e não gostou, e solta aquele sorriso de menina-mulher. Ele pode ser a cura desse vazio que insiste em te visitar, sabia? Levanta dessa cama, toma um banho gelado, coloca a melhor roupa e vai curtir a noite. Se perguntarem como anda sua vida, sorria, diga que nunca esteve tão bem. É difícil, eu sei, mas ninguém precisa escutar essa barulheira toda aí dentro. Convence as pessoas, moça. Convence o seu próprio coração. E, por fim, permita que o volume da música seja superior aos ruídos dos seus problemas.

Encontro de almas.

Quando é verdadeiro o coração sente. As mãos suam. O corpo estremece. Os olhos trocam segredos. A saudade enlaça o tempo. O desejo surge. O sonho nasce, renasce. O beijo é intenso. O abraço não quer largar. Quando é verdadeiro nada separa. O medo desaparece. O eterno perdura vidas. Adormece, mas não morre.

Calmaria.


Vem sem medo. Encosta a sua cabeça em meu peito e repousa. Não se preocupa com o raiar do dia, asseguro-te proteção. Fecha os olhos, por favor, esquece o mundo lá fora. Cantarei aquela música que você adora. Me dê sua mão, sente as batidas desenfreadas do meu coração. Sentiu? Tudo isso é por ti. Ninguém mais consegue deixar-me assim. Anjo, deixarei a luz do abajur acessa, pois quero passar à noite observando-te dormir. No dia seguinte, ainda em meus braços, falar-te-ei do meu amor. Ainda que não concordando com sua partida, deixarei a cama arrumada, esperando pelo seu retorno. Que seja breve a saudade e longo o nosso tempo de matá-la. Pode ir, com uma condição: volta logo.

Incógnita

Queria tanto poder saber o que vêem os teus olhos ao me encontrar. O que eles vêem quando encosto e te abraço devagar. Queria poder sentir, através do seu corpo, o que sente o seu coração ao tocar o meu. O motivo pelo qual a sua pele vibra ao misturar-se com a minha. Queria descobrir o que sua boca almeja, ainda que em silêncio, ao degustar daquela cerveja gelada no final de uma sexta-feira à noite. Para onde sua mente viaja ao escutar aquela música que mais parece uma trilha sonora dos nossos desejos mais íntimos. Queria tanto poder decifrar o seu pensamento no instante que você conversa fixando o seu olhar em meus lábios, ou quando você me olha de um jeito tão sereno. Queria tanto saber, entender (...) Será que um dia você me conta?